I
Quando Júlio
César atravessou o Rubicão, proferindo o imortal alea jacta est com que entregava a alma magnanimamente, e à frente
das suas legiões em Roma entrou em triunfo, nenhum patrício se distraiu de
aclamá-lo. Podendo o esforço chegar a tanto, imagine quem o conseguir que na
cidade das sete colinas, já não a primeira imperando estendida sobre o Lácio,
mas uma réplica, à escala, onde aportou sem querer um dia o traiçoeiro vencedor
de ciclopes, entrava um dia, montando não o seu nobre Genitor, mas uma
carruagem puxada por asnos a quem se lhes deu, talvez por erro, o dom da fala, um
outro Júlio César, mais gordo, risonho, e desajeitado. Imagine de seguida, com
a paciência que tiver reservado para o feito, que a este César barrigudo
recebia a plebe com uma ovação ainda mais estridente, alguns beijando-lhe o
anel no dedo, outros estendendo-lhe a mão humilde, uns quantos trocando
palmadinhas de amigo, mas todos numa histeria tal que, se houvesse genuflexório
onde deixassem pousar os joelhos, seria na posição católica que o saudariam.







