Em 279 a.c., durante
a guerra pírrica, o exército romano e o exército de Pirro, rei do Épiro, enfrentaram-se
em Ásculo. Lembra Plutarco que, de acordo com Dioniso de Halicarnasso, havia
quinze mil baixas no total quando os dois exércitos se separaram e que, no
momento em que o vieram congratular pela vitória, Pirro terá dito que outra
vitória perante os romanos como aquela acabaria com o seu próprio exército. Pirro
podia até ter vencido aquela batalha, mas tinha perdido a maior parte das suas
forças, dos seus amigos e dos seus generais. Além disso, não podia reforçar as
suas fileiras, enquanto os romanos recrutavam rapidamente novos soldados. A
expressão “vitória de Pirro” relembra os acontecimentos em Ásculo, e é
vulgarmente usada, não só em contexto militar, para designar uma vitória cujas
consequências acabam por ser mais prejudiciais do que benéficas a quem vence.
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28/01/2015
28/10/2014
Prima Facie (5) - Direita e Esquerda
Em França, a
Assembleia Nacional Legislativa, instituída pela Constituição de 1791, era
formada por três grandes grupos. À direita do presidente, sentavam-se os partidários
do rei, monarquistas constitucionais ou conservadores; à esquerda sentavam-se
os simpatizantes da revolução, na sua maioria burgueses cultos; ao centro
ficavam os moderados, o mais numeroso dos três grupos, composto essencialmente
por burgueses liberais e republicanos. A disposição dos assentos em parlamento
terá resultado da necessidade que os primeiros sentiram de evitar as
indecências que vinham da ala contrária, e originou distinções no espectro
político que ainda hoje, apesar de as simpatias não serem naturalmente as
mesmas, são usadas por toda a gente.
12/09/2014
Prima Facie (4) - "Vagabundo"
A palavra “vagabundo”,
que em português designa todo aquele que não tem ocupação, ou que tem uma vida
errante, tem como origem o adjectivo latino “bacchabundus”, que se refere àquele
que sofre o delírio inspirado por Baco, ou seja, àquele que se encontra num
estado de embriaguez e de exaltação tal que grita e se agita e se entrega a
todos os tipos de devassidão. Da designação de um mero bêbedo, passou então a
designar, por metonímia, todos aqueles que, mesmo que não como consequência de
beberem em demasia, levam a vida ignominiosa por que define, geralmente, a vida
de um bêbedo.
11/06/2014
Prima Facie (3) - Erro Crasso
Marcus Licinius
Crassus compôs com Júlio César e com Pompeu aquele que viria a ficar conhecido
como o primeiro Triunvirato. Teria sido essa a única razão para que ficasse o
seu nome inscrito nas lajes da posteridade, não fosse a ambição escusada de
querer outra fama que não a de político razoável. Querendo mais do que lhe
cabia, acabou por se eternizar pelo que não queria, ou seja, como exemplo
máximo de que é possível ficar na História por ser estúpido. Desde que
deliberou merecer maior fama do que qualquer outro militar romano, assim que
lhe foi atribuída a província da Síria, em 55 a.C., e decidiu iniciar uma
campanha militar contra os Partos, até ao dia em que perdeu a vida e a fez
perder a, pelo menos, 30 mil romanos, foram muitos os equívocos de Crassus e
muitas as evidências de que a mais copiosa das fortunas de pouco ou nada serve
em feira em que se negoceie a glória.
26/03/2014
Prima Facie (2) - Auto-deprecação ou Auto-depreciação
Não é incomum
ouvir dizer que fulano tal é dado à auto-deprecação,
querendo com isso insinuar que costuma rebaixar-se ou maldizer-se. Ora, o
substantivo "deprecação" (do latim “deprecatio”), designa o acto de deprecar (do latim “deprecari”), verbo que, por sua vez,
significa "suplicar", e a raiz da palavra é o substantivo “prece” (do
latim “preces”). Se uma deprecação é uma
súplica, a auto-deprecação consiste
em suplicar a si mesmo, o que é manifestamente diferente de dizer mal de si
mesmo. Alguém que não dá o devido valor à pessoa que é, que possui o hábito de
desdenhar de si mesmo, é dado, isso sim, à auto-depreciação,
pois não é o verbo “deprecar” mas o verbo “depreciar” (do latim “depretiare”), cuja raiz é o substantivo
“preço” (do latim “pretium”) que
significa diminuir o valor ou o preço de alguma coisa. O equívoco, cada vez
mais comum, está com certeza ligado à influência cada vez maior da língua
inglesa no espaço nacional, pois em inglês, por qualquer engano inicial, “to
deprecate” passou há muito a poder significar o mesmo que “to depreciate”, e o
termo correcto para referir “auto-depreciação” é, de facto, “self-deprecation”.
06/02/2014
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