Só
à tua pessoa presta o sacrifício de dizer os bons-dias.
11/01/2014
08/01/2014
Ipsis Verbis (1)
“Era
uma vez uma choupana que ardia na estrada; a dona, – um triste molambo de
mulher, – chorava o seu desastre, a poucos passos, sentada no chão. Senão
quando, indo a passar um homem ébrio, viu o incêndio, viu a mulher,
perguntou-lhe se a casa era dela.
-
É minha, sim, meu senhor; é tudo o que eu possuía neste mundo.
-
Dá-me licença que acenda ali o meu charuto?”
Machado de
Assis, Quincas Borba
04/01/2014
In Hoc Tempore - A Morte do Borges
Desconheço o evangelho em que vá
escrito que um macaco deve comiseração a outro macaco, ou que deve uma galinha
simpatizar com a sorte de outra galinha antes de simpatizar com a de um pato.
Para todos os efeitos, quem quer que não conheça o rapazito africano que
ilustra de tempos a tempos a fome daquele continente não sente por ele, ainda
que lhe digam que sim, nada que não possa sentir por uma cana de pesca. Por
outras palavras, ser humanitário é estar enganado. A diferença entre um
rapazito a quem a subnutrição concedeu honras de capa de revista e um pinguim a
levar pauladas em nome da ciência é que o primeiro perde mais tempo a sacudir
moscas do que o segundo - e talvez o facto de o rapazito, apesar de tão
barrigudo quanto o pinguim, ter menos sardinhas no bucho. Vem isto a propósito,
perguntará o leitor a quem o pasmo ainda governa, da morte do Borges, no ano
que agora findou, e da discussão em torno de como se deve reagir à morte de
alguém que não se conhece e sobre quem haja a opinião de que fica melhor
estendido do que de pé. Como se perceberá pelo que vai dito acima, tirando a
família e os amigos, não creio que seja passível de acusação quem quer que não
lhe tenha lamentado a morte. Merece mais a nossa comiseração aquilo que nos
rodeia do que um irmão que nunca conhecemos.
02/01/2014
Res Scriptae - O emissário que pintava o cabelo
Um
velho e vaidoso emissário de Keos foi a Esparta com o cabelo pintado,
envergonhado por parecer envelhecido. Uma vez apresentado à assembleia,
transmitiu a sua mensagem. Nesse momento, Archidamus, o rei espartano,
levantou-se e disse: “Que integridade pode haver nas palavras de um homem que
anda por aí com uma mentira na cabeça, assim como no seu coração?
tirado de: Greek Wit: a Collection of Smart Sayings and
Anedoctes translated from Greek Prose Writers
Moral
da História: Não se deve confiar em homens que pintam o cabelo.
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