17/06/2014

Res Scriptae - O que Convém aos Burros


Quando estava prestes a acampar num belo lugar e lhe disseram que não havia pastagens para o gado, Filipe da Macedónia exclamou: “Que vida a nossa, se estamos obrigados a vivê-la de acordo com o que convém aos burros!”

tirado de: Greek Wit: a Collection of Smart Sayings and Anedoctes translated from Greek Prose Writers

11/06/2014

Prima Facie (3) - Erro Crasso

Marcus Licinius Crassus compôs com Júlio César e com Pompeu aquele que viria a ficar conhecido como o primeiro Triunvirato. Teria sido essa a única razão para que ficasse o seu nome inscrito nas lajes da posteridade, não fosse a ambição escusada de querer outra fama que não a de político razoável. Querendo mais do que lhe cabia, acabou por se eternizar pelo que não queria, ou seja, como exemplo máximo de que é possível ficar na História por ser estúpido. Desde que deliberou merecer maior fama do que qualquer outro militar romano, assim que lhe foi atribuída a província da Síria, em 55 a.C., e decidiu iniciar uma campanha militar contra os Partos, até ao dia em que perdeu a vida e a fez perder a, pelo menos, 30 mil romanos, foram muitos os equívocos de Crassus e muitas as evidências de que a mais copiosa das fortunas de pouco ou nada serve em feira em que se negoceie a glória.

31/05/2014

Ave Atque Vale (3) - Arquimedes


“Não perturbem os meus círculos.”

(últimas palavras de Arquimedes, em 212 a.c., exigindo que não o interrompessem enquanto não chegasse a uma solução para o problema matemático em que reflectia observando uns diagramas desenhados no chão, não se apercebendo de que Siracusa, depois de dois anos de cerco, fora finalmente tomada pelos romanos e estava a saque)

tirado de: Immortal Last Words: History’s Most Memorable Dying Remarks, Deathbed Declarations and Final Farewells

21/05/2014

Sed Contra - Tavares ainda não perdeu o emprego


Quem quer que abra, por vontade própria ou decreto providencial, um livro de Gonçalo M. Tavares, dá com a vista naquilo a que, literariamente falando, se chama uma surpresa. Sossegue quem tiver aprendido a pensar, pois ainda não disse se é boa ou má a surpresa com que dá quem assim opera. Nem o poderia talvez dizer, pois que, de um certo ponto de vista, pode ser bem surpreendido aquele que der com o espanto em má surpresa. Ora, quem quer que abra, pondo o intuito em ler, um dos livros por que Gonçalo M. Tavares foi surpreendendo o exigentíssimo público pátrio, Matteo perdeu o Emprego, tem forçosamente de abri-lo, como abriria qualquer outro livro, na primeira página. Se tiver a gentileza de fazê-lo, pode não reparar em muita coisa, mas decerto repara nas letras que lá se timbraram. Pode, por isso, não depositar suspeitas na hipótese de o escritor, desconhecendo as ínclitas leis da profissão de escrever livrinhos, não saber que um parágrafo pode conter mais do que um período, como o faz quem sabe o que há a ser feito, mas é com certeza capaz de ler, porque está lá para ser lido por quem tiver olhos e educação primária, o seguinte parágrafo:

Todas as manhãs, um homem era visto, entre as sete e as sete e meia, a contornar a rotunda principal da cidade, rotunda onde desembocava sessenta por cento do tráfego. Às sete da manhã o fumo dos automóveis era maior que ao fim da tarde, porém, mesmo assim, havia fumo, metal e ainda a velocidade de alguns automóveis. E ali, no meio, correndo risco de vida, um homem. Aaronson.

13/05/2014

06/05/2014

Ipsis Verbis (6)



    - Falhámos a vida, menino!
- Creio que sim… Mas todo o mundo mais ou menos a falha. Isto é, falha-se sempre na realidade aquela vida que se planeou com a imaginação.
Eça de Queirós, Os Maias