Aconselha-te
a não te aconselhares.
22/07/2015
29/06/2015
Sed Contra - A Criança Tolinha (2)
II – A CRIANÇA TOLINHA E A PUBERDADE
Diz-se algures, numa parte do mundo que só importaria saber qual era se
alguma coisa importasse, que uma criança tolinha só dá em poeta se ao gugu dadá
com que escreve o primeiro poema lhe responder quem lho ler com o gugu dadá de
volta que o incentiva a escrever o segundo. Quando a criança tolinha que
Herberto Helder é – e que o seja foi retrato que os pincéis do raciocínio
deixaram pintado no primeiro texto – escreveu o seu primeiro poema, qualquer
criança tolinha lhe terá dito, portanto, que continuasse a ser criança e a ser
tolinho. Assim encorajado, deu pois em continuar. O segundo, o terceiro e o
quarto poema devem ter excitado tanto as partes às crianças tolinhas a quem os
deu a ler como o primeiro, pois não tardou que fosse aclamado por uma multidão
delas. E em pouco tempo, por qualquer razão que estará escrita onde estiver
escrito o mistério de tudo, tínhamos uma criança tolinha laureada e um meio
literário de crianças tolinhas aos berros, pedindo mais poemas com que,
humedecendo-as, pudessem dar lubrificação à berraria por que mantêm a fama.
18/06/2015
Ipsis Verbis (17)
ODE TO A GRECIAN URN
Thou still unravish'd bride of quietness,
Thou foster-child
of silence and slow time,
Sylvan historian, who canst thus express
A flowery tale
more sweetly than our rhyme:
What leaf-fring'd legend haunts about thy shape
Of deities or
mortals, or of both,
In
Tempe or the dales of Arcady?
What men or gods
are these? What maidens loth?
What mad pursuit? What struggle to escape?
What
pipes and timbrels? What wild ecstasy?
11/06/2015
Sed Contra - A Criança Tolinha (1)
Quando um poeta falece, os poetas
que ainda não faleceram têm por hábito elogiar muito a poesia do falecido. O
mesmo não acontece com a classe dos padeiros ou, para não se dizer que comparo injustamente,
com a classe dos larápios. Tal como seria bizarro que um padeiro que ainda não
faleceu elogiasse as carcaças de um padeiro acabado de falecer, é pouco
provável que haja larápio que, presente nas cerimónias fúnebres do larápio
falecido, se lembre de elogiá-lo antes de se lembrar de lhe larapiar o que quer
que lhe tenham posto nas algibeiras do fato com que vai para a cova. O fenómeno
é certamente explicável, mas seria decepcionante se, votando-me agora às manhas
da sociologia para demonstrar que faz parte da vocação de poeta elogiar outros
poetas, deixasse de lado o caso particular do poeta que deveras faleceu há dias
e cuja poesia foi elogiada por todos ou quase todos os poetas que, por razões
que cabe aos deuses explicar, ainda não faleceram. Que a poesia de Herberto
Helder não merece os elogios que recebeu, e que os poetas que o elogiam não
merecem, portanto, senão a consolação de ainda não terem falecido como ele, eis
o que a análise tratará de mostrar de seguida. Correndo o risco de estragar a
surpresa que o título, tendencioso como qualquer título, talvez tenha estragado
antecipadamente, nenhuns desses elogios são merecidos porque, apesar de o
considerarem poeta, melhor o consideraria quem o considerasse uma criança
tolinha. Para não maçar excessivamente quem leia, e porque revela o que há a
revelar de uma criança tolinha que acabou laureada a demonstração das tolices
de criança por que se destaca, das tolices púberes que lhe formaram o carácter
e das tolices adultas com que se explica o resto da sua existência, divido a
análise em três textos, cada um demonstrativo de cada um destes três géneros de
tolice. Importa ainda avisar, não vá alguém queixar-se de ter sido enganado ao
descer do pano do que ficar dito, que, sempre que chamar o poeta falecido ao
palco para mostrar o que sabe fazer, assim iluminando o que afirmo através da
ribalta da citação, me reportarei sobretudo à sua poesia inicial. Para o
efeito, ela me chega. Quem achar, porém, que a parte da obra assim aclarada não
representa o todo da obra do poeta, achando em propô-lo a má vontade ou a
vilania de quem o propõe, não deve esquecer-se de que aquele que, por
deformidade original, dá em nascer coxo a vida inteira passa a coxear. Em vez
de tentar provar-se atleta, melhor faria tal coxo, de resto, se respeitasse o
exemplo dado por quem assim nasceu e pusesse o empenho em “provar-se vilão”.
Mereceria com certeza outras palmas.
26/05/2015
07/05/2015
Ipsis Verbis (16)
Pouco
vale coração, astúcia e siso,
Se
lá dos céus não vem celeste aviso.
Luís de Camões,
Os Lusíadas
25/04/2015
07/04/2015
Ipsis Verbis (15)
A man of genius makes no mistakes; his errors are
volitional and are the portals of discovery.
James Joyce, Ulysses
Subscrever:
Mensagens (Atom)















